6º Festival Contemporâneo COMPOSITORES

"a música em seu tempo"

Iannis Xenakis

Xenakis

Nasce em 1922 (ou 1921) em Braïla (Romênia), no seio de uma família grega. Cresceu em Athenas, onde termina seus estudos de engenharia civil e se engaja contra a ocupação alemã, e, posteriomente, contra a ocupação britânica (guerra civil). Em 1947, após um período de clandestinidade, foge da Grécia e se instala na França, onde trabalha durante 12 anos com Le Corbusier, primeiramente como engenheiro e depois como arquiteto (Couvent de la Tourelle, Pavilhão Philips da Exposição Universal de Bruxelas de 1958 – onde foi estreado o Poema eletronico de Varèse – célebre pelas suas parábolas hiperbólicas). Em música, estuda com Olivier Messiaen e, inicialmente, vale-se de uma estética bartokiana que tenta combinar os recursos da música popular com as conquistas da vanguarda (Anastenaria, 1953). Posteriormente, decide romper com essa estética e segue o caminho da “abstração”, que combina dois elementos: por um lado, as referências à física e à matemática, e, por outro lado, uma arte da plástica sonora. Os escândalos de Metastaseis (1953-54) e de Pithoprakta (1955-56), que renovam o universo da música orquestral, o colocam como alternativa possível à composição serial, graças à introdução de noções de massa e de probabilidade, assim como de sonoridades feitas de sons glissados, sustentados ou pontuais. É dessa mesma época que datam suas primeiras experiências com a música concreta onde, entre outras, abre a via da granulação. Seu primeiro livro, Musiques formelles (1963), analisa suas aplicações científicas – que vão desde probabilidades (Pithoprakta, Achorripsis, 1956-57), passam pela teoria dos jogos  (Duel, 1959), e vão até a teoria dos conjuntos (Herma, 1960-61), assim como suas primeiras utilizações do computador (programme ST, 1962). A partir de 1960, o aspecto da formalização atua cada vez mais como uma tentativa de fundar a música, através de teorias como a de grupos (Nomos alpha, 1965-66) ou a distinção teórica entre « en-temps/hors-temps » (« Vers une métamusique », 1965-67). Com Eonta, entretanto, é o modelo do som que prima. O público descobre que a formalização e a abstração vão de par com um aspecto dionísico pronunciado, onde a música é concebida como fenômeno energético. A década posterior é marcada pelo trabalho utópico com politopos  (Polytope de Cluny, 1972-74, Diatope, 1977), premissa de uma arte multimídia tecnológica caracterizada por experiências de imersão. Com as « arborescências » (Erikhthon, 1974) e os movimentos brownianos (Mikka, 1971), Xenakis renova com o método gráfico que lhe havia feito imaginar os glissandos de Metastaseis, método que utiliza, igualmente, no UPIC, primeiro sintetizador gráfico, com o qual compõe Mycènes alpha (1978). Os anos 70 concluem-se com a utilização extensiva da teoria dos crivos. Esses, aplicados aos ritmos, asseguram um renovamento à escrita para percussão (Psappha, 1975). Em termos de alturas, esses anos testemunham, durante essa época, da procura de uma universalidade de Xenakis (no começo de Jonchais, 1977, o compositor utiliza uma escala que evoca o pelog javanês). Durante a década de 1980, a estética xenakiana se altera progressivamente. Apesar de ainda marcada pelas profusões energéticas (Shaar, 1982, Saltos, 1987-88) ou pelas investigações formais (crivos em praticamente todas as obras, autômatos celulares em Horos, 1986), ela fica cada vez mais sombria (Kyania, 1990). As suas últimas obras (Ergma, 1994, Sea-Change, 1997) evoluem num universo sonoro muito refinado e essencial. A última, composta em 1997, intitula-se de acordo com a última carta do alfabeto grego (Ómega). Xenakis morre em 4 de fevereiro de 2001.

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